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Fazendo cumprir o nº 131 de nossas Constituições, neste início do ano 2008 realizamos o Curso de Renovação que foi organizado da seguinte forma: Abertura no dia 02/01 com Celebração da Eucaristia presidida por D. Silvestre Luiz Scandian, Bispo emérito da arquidiocese de Vitória; Partilha das experiências feitas por cada uma das comunidades. Para dinamizar este momento de partilha recorremos às nossas Determinações, letra d do nº 3: “Buscar que a Comunidade se organize e esteja em constante discernimento, atenta às necessidades e aos novos desafios da realidade local, levando em conta a finalidade da casa”. E a partir dela foi lançada a pergunta: Qual a Nova Ação realizada na realidade local de sua Comunidade? Com muita liberdade e espontaneidade as Irmãs de cada Comunidade foram colocando para a Assembléia as fortes experiências vividas no decorrer do ano:
CARIACICA Foram muitas as novidades: A acolhida da etapa de formação, noviciado; o acompanhar as irmãs idosas: estar atentas, cuidar, levar ao médico, etc; revisar os espaços para atender melhor as necessidades da comunidade, como noviciado; atender os encontros da congregação e de grupos externos. Durante o ano aconteceram os Encontros das Superioras Maiores e dos Secretariados. Foram acolhidos também os seminaristas e diáconos. Delza disse que este ano a comunidade, na pessoa de Madalena e a noviça Natália Paola Garione, assumiu acompanhar a comunidade eclesial Nossa Senhora da Penha da Paróquia Santa Ana no bairro Santa Rosa, visitando as famílias, acompanhando o grupo de adolescentes e liturgia. Também foi realizado um dia de missão com a participação de duas vocacionadas. Outra ação de destaque foi a participação de Ir. Delza e a noviça Natalia, nas missões redentorista realizada no bairro Nova Rosa da Penha, Cariacica – ES, durante dez dias. Também partilha sobre as visitas as famílias e distribuição de cestas básicas no bairro Flexal II. No bairro Santo António Jocerlane Silveira dos Santos, juniora, acompanhou a Pastoral da Criança e Natalia fez o curso de formação de líderes da Pastoral da Criança. Também partilha que durante o primeiro semestre acompanhou a Pastoral da Bioenergética e realizou algumas visitas ao presídio de adolescentes na UNIS.
CUBANGO Acompanham a comunidade de Nossa Sra. Aparecida na Estrada São José na procura de meios econômicos para a construção da capela organizando rifas, almoços, procura de doações. O dia 12 de cada mês tem celebração Eucarística. As irmãs colaboram na catequese para crianças (com uma catequista e uma ajudante), acompanham Círculos Bíblicos, novena do Natal em famílias e o terço, rezado todos os sábados. O povo diz que desde que fizeram a capela diminuiu o tráfego de droga no local. A comunidade ainda não está formada como comunidade eclesial, somente conta com algumas pessoas capacitadas para liderança. As irmãs estão presentes nas celebrações na comunidade paroquial; Visita aos doentes, às famílias. E nestas visitas encontram muitas pessoas que querem ser batizadas. O espaço da casa religiosa está sendo usado para adoração ao Santíssimo, com alguns grupos da Paróquia. Como missão as irmãs sentem que nossa presença neste bairro é importante.
CASEROS Ir. Lucia trabalha nas Pontifícias Obras Missionárias no centro de Buenos Aires todos os dias. Expressa que se sente muito missionária no trabalho que realiza. Tem como compromisso o atendimento da Livraria missionária. Atende os missionários que procuram material sobre missão realizando com eles uma verdadeira partilha de vida e riquezas. Também presta assessoria nacional da UEAM (União de Enfermos e Anciãos Missionários) na sede nacional e nas diferentes Dioceses. Colabora nos Congressos missionários diocesanos e nacionais. Organiza encontros de formação missionária para formandos de etapas iniciais da vida religiosa e para religiosos e religiosas. É muito grata por estar trabalhando neste campo, sente que recebe muito do espírito missionário com o relacionamento que tem com as pessoas com as quais trabalha. Sente um amadurecimento no dinamismo missionário. Jacira acompanha os e as jovens junto com os OAR (JAR - Jovens Agostinianos Recoletos), participa de encontros (contando com a ajuda de Ana Maria e a juniora, Viviana Graciela Duro). Este trabalho é realizado em alguns finais de semana nas cidades de Rosário, Santa Fé e Buenos Aires. Participou da Jornada Missionária Agostiniana que teve como finalidade a formação de jovens para ir às missões. Foi apresentada a vida de Fr. Ezequiel Moreno e Ir. Cleusa como modelos de vida missionária. Os jovens se entusiasmaram muito com a vida de Ir. Cleusa, querendo conhecer e aprofundar mais sobre sua vida. Dalvina continua com os encontros de oração na capela da casa e desde a festa de Nossa Senhora da Consolação a imagem da Virgem está visitando as famílias. Ela continua acompanhando a comunidade da Capela de Nossa Senhora de Caacupé no bairro dos paraguaios, lugar empobrecido.
CENTRO COMUNITÁRIO AGOSTINIANO Itárica expressa que foi feito um discernimento em comunidade para decidirem o que iriam assumir como “novo”. Depois de um tempo de reflexão sentiram que na área missionária do bairro Tancredo Neves era necessário a presença das Irmãs. Foi decidido juntamente com os padres que ajudam nessa área que as Irmãs atenderiam a comunidade Dom Bosco, e na Assembléia da Área assumiram também a dimensão missionária. A comunidade assumiu a formação do postulantado de três jovens. É uma tarefa exigente, mas que oferece crescimento para as irmãs. As postulantes assumiram a Pastoral da Criança, Pastoral do Dízimo e Pastoral Vocacional na Paróquia Santa Rita. A casa continua acolhendo irmãs de diferentes Congregações que necessitam ficar em Manaus por alguns dias.
CENTRO APOSTÓLICO DE LÁBREA Continuam os trabalhos na educação, Curvas do Purus, comunidades eclesiais e Pastoral da Criança. Momento especial foi a realização do Mutirão das CEBs, organizado pelo regional com o objetivo de animar a vida das CEBs na Prelazia, como também a Assembléia Paroquial, para um melhor encaminhamento e animação dos trabalhos pastorais. Aconteceu, também, o Treinamento dos dirigentes das comunidades ribeirinhas. No início houve resistência, por falta de recursos econômicos depois, com a ajuda do projeto Igreja Irmã de Vitória-ES, foi possível a realização do mesmo. A despesa de uma viagem fica em torno de R$ 3.500,00 (três mil e quinhentos reais). Rosalina comenta que o falecimento do padre Antônio Pego foi um acontecimento inesperado e significativo no sentido de sua entrega total à missão. Ficou marcada em sua ação missionária a proximidade às pessoas empobrecidas; a capacidade de escuta, acolhida, a presença amiga. O povo sentiu muito sua falta. Isaura diz que é novo, a realização da festa mensal da “melhor idade” que acontece uma vez por mês no espaço da escola. Este grupo começou com a presença dos avós de alunos/as educandário Santa Rita e foi crescendo, despertando também, interesse de outras pessoas. As Irmãs acompanham este grupo, dinamizando-o. Irmã Eremita Brites Silva continua dando atenção aos indígenas que comparecem na escola. Acompanha também, a Pastoral Carcerária. As Irmãs Rosalina e Socorro acompanham o surgimento de uma nova Comunidade Eclesial na cidade de Lábrea e, marcam presença em outras comunidades já existentes. Isaura acompanha, espiritualmente, o ECC, (Encontro de Casais com Cristo) em Lábrea e Canutama. O trabalho feito junto aos ribeirinhos também beneficia os indígenas com a presença das Irmãs, acolhendo-as muito bem, principalmente na pessoa de Rosalina que é conhecida deles. As Irmãs prestaram uma colaboração aos ribeirinhos com encaminhamento para adquirirem documentos, como por exemplo o CPF. Incentivam à medicina natural.
ITABUNA Foi para Zuleica algo totalmente novo a possibilidade de participar na Missão da aldeia indígena dos Pataxó Hã Hã Hãe de Água Vermelha, em Pau Brasil, com motivo da festa da padroeira Santa Rosa de Lima, convidada pelo CIMI. Foi realizado um Tríduo com visitas as famílias, celebrações nas casas e no final de cada dia a celebração da Eucaristia na capela. Foi significativa a presença do pároco durante os três dias. Zuleica também foi convidada para dois Estudos Bíblicos na aldeia Paraguaçu Caramuru dos Pataxó Hã Hã Hãe, um no mês da Bíblia e o outro em novembro. As aldeias indígenas pertencem a Diocese, porém com pouca presença do pároco. A presença de Igreja se dá através do CIMI, das Missões Passionistas e das Irmãs MAR. Também participau das Missões na comunidade de Santa Inês. O padre Euvaldo, pároco atual, conta muito com o trabalho e assessoria das Irmãs. Marisa partilha acerca do trabalho de Neuzinha na Pastoral Carcerária, tanto nas visitas ao presídio como o acompanhamento às famílias e as inúmeras questões que se apresentam em relação aos detentos tanto no presídio como no correcional de Itabuna. Esta pastoral é muito exigente e comprometedora. Também relata que continuam o trabalho na Pastoral da Criança, nos Círculos Bíblicos e presença ativa em pastorais.
CASA PROVINCIAL As Irmãs relataram as experiências no Centro Educacional Agostiniano, os avanços, retrocessos, alegrias. Já contam com 100 alunos a mais que no ano passado no Ensino Médio. A questão econômica da escola foi assumida pela equipe econômica formada pelas irmãs: Alaíde Bentes Trigueiro, Delza Rita Bassini Fioresi e Anna Salvador. Segundo a necessidade de atender alunos deficientes, foi preciso colocar no CEA um elevador e Ir. Rita comunica que este já foi comprado e está sendo encaminhada a construção do mesmo. Também Ir. Rita comenta sobre o Projeto da CRB: programa na rádio América e o trabalho na Câmara de vereadores da Prefeitura de Cariacica onde participa ativamente. Também colabora nos trabalhos pastorais na Paróquia São Pedro em Jacaraipe (pastoral vocacional) e a participação nos trabalhos do sínodo arquidiocesano. Foi aberta a escola para a formação de uma Comunidade Eclesial e encontros vários da Arquidiocese e Paróquia da Catedral. Alaíde partilha sobre a Pastoral da saúde e o atendimento bioenergético. Luiza partilha sobre os trabalhos do CEBI, a ajuda que está prestando na Catedral na dimensão missionária, a visita na explanada e fundação de uma comunidade. Colabora na elaboração dos Círculos Bíblicos para a Arquidiocese de Vitória e uma Diocese de Minas Gerais. Assume Cursos Bíblicos na Arquidiocese, Programa na rádio FM Líder. Também partilha sobre a sua participação no Sínodo arquidiocesano como representante da Vida Consagrada. Muito enriquecedora a partilha de sua viagem à Espanha com motivo de sua participação no Curso de Renovação e Retiro Anual na Província Nossa Senhora da Consolação por ocasião dos 50 anos de Vida Consagrada de várias Irmãs. Glorinha Lovato agradece todos os gestos de carinho e solidariedade de todas as comunidades MAR durante a enfermidade da sua irmã, Percília. As Irmãs acompanharam a Caminhada do Movimento de Mulheres na defesa da Vida, e participaram do treinamento da Campanha da Fraternidade.
MONTE CHINGOLO Ana Maria diz que assumiram juntas, como comunidade formadora, o acompanhamento à juniora Viviana Graciela Duro. Sabendo que Ana Delia é a responsável pelo seu acompanhamento direto. Com a presença das Irmãs na Creche e jardim de Infância, o número das crianças pobres que foram matriculadas para 2008 cresceu e isso causou alegria porque o objetivo da Obra sempre foi atender as famílias mais carentes. A casa continua aberta para as pessoas que vão procurar as Irmãs para uma conversa, acompanhamento espiritual e outros. Foi positiva a preparação para elaboração do projeto comunitário; a leitura orante da Bíblia em comunidade; a visita de Maria Helena a comunidade; os encontros de formação permanente; o oásis MAR junto com a comunidade Madre Angelis, durante três dias; visita da irmã de Ir. Maria de Lourdes Carvalho com duas amigas; participação nos encontros da Terceira Idade organizados pela CONFAR. As Irmãs assumiram cuidar de uma senhora que não pode andar (vizinha e amiga desde a chegada das irmãs a Monte Chingolo). Irmã Lourdes colabora, juntamente com um diácono, na formação missionária do Grupo Missionário das comunidades da Paróquia e na organização da Missão Paroquial. Participou do III Congresso Missionário Nacional, como representante das pastorais sociais da Diocese. Assumem a formação do grupo das mães Mônica.
TEMAS DO CURSO: 1 – PSICOLOGIA - Assessorado pelo psicólogo Padre Antônio Tatagiba Vimercat. Com o tema: FAZENDO E VIVENDO / ALIANÇA E TRABALHO. Na apresentação, explicou o significado de seu nome, mostrando que o nome trás um grande significado para a vida de cada pessoa e está influenciado pela cultura onde estamos. Se não assumimos a cultura, que é nossa vida real, adoecemos. Após sua apresentação iniciou os trabalhos com as Irmãs com a seguinte pergunta: Qual será para mim o melhor resultado depois deste encontro de dois dias? Tivemos as mais variadas respostas: Melhor convivência; testemunho; reavivar o espírito de VIDA para a ação da Vida Religiosa Consagrada MAR; pistas para melhorar nossa convivência nas comunidades, principalmente como lidar com o diferente, não excluindo-o, e sim somando forças para saber aceitar o meu diferente e o diferente da outra; terminar VIVA e com mais condições de viver comigo mesma e com os outros; conhecer-me mais e trabalhar os vazios que ainda perdura, na busca de mais felicidade; nos conhecer mais para que posamos conhecer a outra e as pessoas que convivem na comunidade eclesial; perceber o porquê fazemos as coisas e pra que agimos deste jeito; melhorar nossa saúde para uma convivência melhor; dar continuidade ao conhecimento da história de onde viemos; vivenciar mais com o coração a atenção a outra. Tatagiba apresentou algumas dicas: Precisamos ter a capacidade de elaborar lutos; a nossa cultura ficou muito na cabeça e não no coração; quando estamos atentas a nós mesmas percebemos a energia que chega, assim como, os sinais; trabalhar não cansa quando estamos onde e no que estamos fazendo; o que cansa é quando fragmentamos – estamos em um lugar e pensando em outro; cada pessoa é toda a sua história; a experiência vivida não pode ser inimiga, tem que ser assumida; o estilo de vida que a pessoa vivencia a faz adoecer; muitas vezes a forma como nos organizamos nos leva a morte; precisamos incluir para as nossas vidas hábitos solidários; temos que querer viver na sua totalidade; temos que criar energia – fazer circular a energia biológica – para isso precisamos desbloquear o corpo para a energia circular; a repressão vai gastar muita energia para segurar esse material escondido; a sublimação vai fazer contato com toda essa energia presa para colocá-la a serviço; a energia da sexualidade a desenvolvemos – gastamos – na missão; a sublimação não dá uma segurança de cem por cento, temos que fazer arranjos para sermos equilibradas; precisamos caminhar do real para o ideal Senhor que eu conheça a Ti me conhecendo. (santo Agostinho)
2 – DOUTRINA AGOSTINIANA Assessorado por Frei Rafael de la Torre, OSA, com os seguintes temas: I - TEORIA DA AMIZADE EM SANTO AGOSTINHO. “Ser amigo da Verdade, para ser verdadeiro amigo”. “Só em Cristo a amizade pode ser eterna e tranqüila”. “Somos atraídos por Deus-Amor, aí a gente se encontra”. Agostinho aceita as fórmulas clássicas: Para Cícero, a amizade é: Acordo nos assuntos terrestres e celestes, divinos e humanos. E Agostinho interpreta: Acordo nas coisas divinas e humanas com benevolência e caridade, que é o jeito de Cristo Jesus. Amizade vem de Amor, segundo Cícero e Santo Agostinho. Amizade que é amor fiel, e em Cristo é completa. A Amizade leva a uma vida semelhante nos bons costumes, nos mesmos sentimentos, e vai criando os mesmos hábitos nos amigos. Agostinho toma de Cícero a definição de amizade que se fundamenta na semelhança dos costumes. O amigo é como outro eu; ALTER EGO, é alma gêmea. Agostinho se expressa assim em respeito a Alípio: “Somos dois, mais pelo corpo do que pela alma, na concórdia e fiel amizade. A alma do amigo se faz uma com a alma do outro. HORÁCIO define AMIZADE: A METADE DE MINHA ALMA. E AGOSTINHO acrescenta a sua experiência: “Eu senti que a minha alma e a sua formavam uma só em dois corpos” (Conf 4,6,11). Na Regula ad servos Dei declara: Antes de tudo, vivam unânimes na casa e tenham uma só alma e um só coração (1,3).
II. A EVOLUÇÃO NA AMIZADE DE AGOSTINHO A AMIZADE – imperfeita- nas Confissões: “as conversas e risadas em comum, inflamavam os corações e de muitos vêm a formar um só” (4,8,13). Os amigos, então, têm que possuir tudo em comum? E podem ter verdadeira amizade: os esposos, os pais com os filhos, os professores com os alunos. Podem ter verdadeira amizade o homem e a mulher? E não são muito diferentes todas estas relações para poder chamá-las usando o mesmo termo de amizade? A AMIZADE – perfeita - A simpatia humana transforma-se em amizade pela Caridade (Rm 5,5). É a experiência de Agostinho nas Confissões 4,4,7. a) Da infância até a sua conversão, Conf 2,2,2 : Que coisa me deleitava senão Amar e ser Amado? Com os companheiros de travessuras como “o roubo das peras” (p.11). Podemos ver a evolução da amizade na vida de Agostinho antes e depois da conversão. Antes temos o amigo da alma, no livro IV das Confissões. E a morte do amigo. Até o propósito de vida comum, porém, as mulheres... 6,14,24. Antes da conversão, mostrava espírito de conquista, a vontade de amar, de seduzir, de cativar. Procura tomar a iniciativa para amar e conseguir ser amado. “Feliz aquele que te ama, Senhor; e ama o amigo em Ti, e ao próprio inimigo por Ti!”(Conf 2, 9,14). b) De sua conversão até a sua morte, a sua atitude mudou, porque sentiu que a iniciativa é de Deus. Deus que ama primeiro, e só quando nos sentimos amados por Deus é que vamos poder amar com verdadeiro amor, só quando somos conquistados por Deus que vamos poder conquistar e seduzir aos outros com o verdadeiro amor, a verdadeira amizade.
COMUNIDADES ABERTAS: Agostinho fundou comunidades monásticas que deveriam acolher de coração a todos aqueles que batessem às portas do mosteiro: “Não se deve recusar a amizade de quem quiser se fazer nosso amigo(...) e deve ser tratado de tal maneira que possa ser recebido de fato(...). E se houver alguém que não se atreve a se fazer amigo, pelo fato de se assustar com nosso prestígio e dignidade, é preciso abaixar-se até ele e lhe oferecer com afabilidade o que não ousa pedir por si mesmo CONCLUINDO “Neste mundo existem duas coisas necessárias: a saúde e uma pessoa amiga” (Sermão Denis 1). Interpretando a Santo Agostinho, dir-se-ia que as duas coisas necessárias são: a paz na consciência e ter a Jesus como verdadeiro Amigo. “Feliz aquele que te ama, Senhor; e ama o amigo em ti, e ao próprio inimigo por ti” (Conf 2,9,14). E abundando mais no tema, exclama na Cidade de Deus: “Que consolo maior entre as agitações e sofrimentos da sociedade humana, que a confiança sincera e o mútuo amor dos bons e autênticos amigos?” (14,8). Orientação de fundo na vida e doutrina de Agostinho é saber ordenar o amor (Ordo Amoris): “O amor ordenado não ama o que não deve, nem deixa de amar o que deve. Não ama mais o que deve amar menos, nem ama menos o que deve amar mais. Não ama por igual o que deve amar mais ou menos, nem ama mais ou menos o que deve amar por igual” (De doct christ 1,27,28).
AGOSTINHO: “ARTE DE AMAR”
1 - Uma espiritualidade atual - Na espiritualidade de Santo Agostinho, o próximo, o irmão é o “caminho” principal e mais direto para encontrar a Deus. O próximo é visto como: “Sacramento de Cristo e do encontro com Deus”. É a espiritualidade de comunhão. Trinitária. 2 - Primeiro, o amor ao próximo - Santo agostinho é atual. O Amor é atual. Deus é Amor. Deus é atual. “O homem concreto é o primeiro caminho que a Igreja deve percorrer; ele é o primeiro e fundamental caminho da Igreja” (João Paulo II, RH, 14). 3 - O mesmo amor em duas direções - Santo Tomas de Vilanova declara na sua pregação: “São Bento escolheu os pés de Cristo; São Domingos, a língua; São Francisco, a cabeça coroada de espinhos; Santo Agostinho escolheu o coração”. Através do amor somos impulsionados a sair de nós mesmos, e ir além dos limites desse nosso mundo que chamamos “EU”. Caminharmos para onde? Duas direções: Deus e próximo. O amor a Deus é a raiz, o amor ao próximo é a planta. Para Agostinho, no comentário à primeira Carta de João, o amor ao próximo e o amor a Deus ficam identificados: “Amamos o próximo, nele a Cristo, e n’Ele a Deus”. Vivemos mergulhados no amor (Com 1Jo 10,3). 4 - Quando por amor amamos o próximo é por Deus que o amamos -“O amor fraterno é o que nos faz amar uns aos outros. Este amor não somente vem de Deus, mas é Deus!” (De Trin 8,12; 9,10). O Espírito é força de Deus no homem quando ama. Somos feitos à imagem de Deus que é Amor. É como pedir a chave do carro e ligar o motor! O motor que transforma a energia em movimento, faz o carro caminhar. E o “carro” caminha em direção ao próximo. Parábola do bom samaritano (Lc 19, 33-34). Posso não conectar o amor. Na parábola do samaritano o sacerdote e o levita viram e “passaram adiante” (Lc 10, 31-32). Deus dentro de nós é a fonte, o Bom Samaritano que vive em nós. (Exemplo da bilha). A espiritualidade agostiniana é assim: não existe autêntica vida cristã sem passar pelo amor fraterno (Com Jo V, 7). 5 - A visão interior de Deus - Quem não consegue o amor de Deus é porque não ama seu irmão. Só no amor fraterno é possível a visão de Deus. “Se não amas teu irmão a quem vês como poderás amar a Deus a quem não vês? “Porque se tivesse amor, veria a Deus, já que Deus é amor” ( Com 1Jo IX, 10). Se nos amarmos corretamente, como Jesus ensina no Evangelho e são Paulo (1Cor 13) podemos experimentar a suprema interioridade. É interessante o fato! Você ama o próximo e Deus Amor se faz presente, conhecido, íntimo, certo, interior. Tomemos a iniciativa no amor ao próximo. Não foi essa a experiência de Agostinho? (De Trin 8,12). Com força declara o Santo Cura d’Ars: “Nunca se esqueçam de que, durante todo o tempo que vocês não amam o próximo, o bom Deus está de mal com vocês”. 6 - A suprema comunidade - Formamos Igreja, somos da Igreja, somos Igreja. Somos parte da mesma vinha: “Eu sou a verdadeira videira e vós os ramos”...”Permanecei em mim e eu em vós” (Jo 15, 1-4). A Igreja de Jesus, na qual estamos e vivemos, é uma comunidade em comunhão. 7 - A construção contínua da comunidade - A construção da comunidade às vezes parece um inútil desperdício de energias. Formar comunidade, decidir e colaborar em comunidade exige um esforço ascético, muita paciência e bastante humildade. A comunidade não é resultado de geração espontânea, nem fruto de breve tempo. O ser humano quer possuir o próximo, tem medo de doar-se aos outros. 8 - A espiritualidade de comunhão - Alguns traços fundamentais para a caminhada espiritual: Ver antes o que há de positivo no irmão; Criar espaço para o irmão; Levar os fardos uns dos outros (Gl 6,2); Rejeitar o egoísmo (inveja, suspeitas, ciúmes...); Orar pelos nossos irmãos. 9 - O vínculo da amizade, dom do Espírito. Há dois períodos no pensamento de Santo Agostinho em relação à amizade: No início ele acentuou a simpatia humana. Mais tarde entendeu que o vínculo é dom do Espírito Santo: “com efeito, só há verdadeira amizade quando sois vós que enlaça os que vos estão unidos pela caridade difundida em nossos corações pelo espírito Santo que nos foi dado” (Conf IV ,4-7). “Que consolação nos resta numa sociedade humana como a nossa, cheia de erros e penalidades, senão a lealdade não fingida e o mútuo afeto dos bons e autênticos amigos? (Civ Dei 19,8). 10 - A nova liturgia e o novo templo - Um segredo fundamental para construir a comunidade vem explicitado na frase da Regra: “Honrai a Deus uns nos outros, do qual vós fostes feitos templos”. Para Santo Agostinho o nosso primeiro culto divino consiste numa boa vida comunitária. A vida em concórdia é, antes de tudo, honrar a Deus uns nos outros, antes da oração, antes do apostolado e do trabalho. Como diz a 1Pe: “Acima de tudo...o amor mútuo” (1,22). 11 - A presença de Deus no amor comum Sinto que Deus mora na comunidade. “Nesse amor comum, descanso sem receio, porque nele sinto que está Deus” (Carta 73, 10).
AGOSTINHO BUSCA A DEUS 1. A busca de Deus - O que é “a busca de Deus” em Santo Agostinho? Responde o Papa Paulo VI: “É essa forma de tratar com Deus pela qual a alma está continuamente buscando-O com o desejo do amor”. Expressa muito bem esta busca o salmo 62: “Sois vós, ó Senhor, o meu Deus! Desde a aurora ansioso, vos busco! A minha alma tem sede de Vós, Minha carne também vos deseja Como terra sedenta e sem água”. Ou também o Salmo 42: “Minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; Quando voltarei a ver a face de Deus?”. É a fome e a sede que “gritam”; mas também o amor que deseja ver e encontrar aquela pessoa que amamos. A mãe deseja ver o filho que mora longe. O filho pródigo deseja voltar para a Casa do Pai, porque tem fome, mas também porque ama o Pai; busca de novo o amor e o abraço do Pai... Em bom português, diríamos: SAUDADES DE DEUS! Este desejo íntimo de Deus é característico na vida de Santo Agostinho. Ele é um grande apaixonado por Deus. E esta paixão faz tanto bem pela humanidade. Agostinho abriu caminhos aos que procuram a Deus em todos os tempos. É só abrir as suas Confissões e já aparece a famosa frase: “Fizeste-nos, Senhor, para Vós, e o nosso coração está inquieto, enquanto não descansar em Vós”. 2. Somos capazes de Deus e necessitamos de Deus - Somos seres humanos feitos à imagem e semelhança de Deus. Somos seres famintos e sedentos de Deus. Somos pessoas capazes de Deus: aí está nossa maior grandeza e dignidade Embora deteriorada a imagem pelo pecado, conservamos o desejo daquele que nos criou. Por outra parte, todas as religiões testemunham essa busca de Deus: budistas, muçulmanos, hindus, hebreus, ...todos! Através de suas crenças, sacrifícios, ritos, cultos, meditações, demonstram que somos seres religiosos, orientados para Deus, necessitados de Ele. Religados a Deus. 3. O desejo da felicidade - A Deus tendemos continuamente e insaciavelmente, movidos por aquele impulso que é próprio de Deus, até que contemplando-O no céu, possamos saciar-nos, descansar e ser felizes n’Ele. O desejo natural da felicidade é de origem divina: Deus o colocou no coração do homem a fim de atraí-lo a si, pois só ele pode satisfazê-lo. Todos certamente queremos viver felizes y não existem neste mundo pessoas que não concordem com esta afirmação. 4. Quem busca a quem?- “Grande és tu, Senhor, e sumamente louvável: grande a tua força e a tua sabedoria não tem limite”. Assim começa o livro das Confissões de santo Agostinho. Ele confessa que também aquele anseio de louvor provem de Deus. “Deus é o primeiro a chamar o homem”. “Tu o excitas para que sinta prazer em louvar-te” (Conf I,1,1). Se conhecesses o dom de Deus!” (Jo 4, 10), disse Jesus incitando à samaritana. É aí, à beira dos poços aonde vamos procurar nossa água, é aí que Deus vem ao encontro de todo ser humano, é o primeiro a nos procurar e é ele que pede de beber. Por isso a oração, quer saibamos ou não, é o encontro entre a sede de Deus e a nossa. “Deus está sedento de nossa sede”, declara Santo Agostinho. Por meio de Jesus, Deus Pai nos buscou. “Nos buscaste – escreve Santo Agostinho – para que também nós te buscásemos” (Conf XI, 2, 4). 5. “Meu peso é meu amor- As saudades de Deus habitam no coração do homem. É um espinho cravado na sua carne. Só Deus é origem, centro e repouso da alma inquieta. Ë muito célebre o texto das Confissões: “Em teu amor repousamos. Ele é o nosso descanso, é o nosso lugar. Ë para lá que o amor nos arrebata. O teu coração, o teu Espírito Santo nos eleva. Na tua vontade temos a paz. Todas as coisas, devido ao peso, tendem para o lugar que lhes é próprio. Assim, o fogo tende para o alto, a pedra para baixo. Por seu pesa são impelidos para o seu justo lugar. O óleo derramado sobre a água aflora à superfície; a água, jogada sobre o óleo, submerge. São ambos impelidos por seu peso a procurar o próprio posto. Onde há desordem reina a agitação, e na ordem reina a paz. Meu peso é o amor; por ele sou levado para onde sou levado. Teu Espírito nos inflama e nos leva para o alto; nós nos inflamamos e é assim que nos movemos” (XIII, 9,10). O texto explica maravilhosamente a desordem, a falta da paz interior quando não temos a Deus como centro de repouso. A serenidade profunda de quem coloca o coração na vontade de Deus e vive e respira paz e harmonia. Isso é saúde espiritual. 6. A busca de Deus não acaba nunca - No comentário ao evangelho de São João, Agostinho escreveu: “Busquemos (Deus) a fim de encontrá-lo e, ao encontrá-lo, continuemos a busca. É necessário procurá-lo, pois está escondido em nós...Ele sacia a pessoa que O procura até onde sua capacidade permite; e Ele faz com que a capacidade dessa pessoa aumente, para que ela possa novamente buscar ser saciada” (in Ev. Jo 63, 1). A inquietude de Agostinho só se acalmou com a sua conversão, quando começou a levar “a Palavra de Deus transpassada nas entranhas”. Ele viu em Roma e em Milão “exemplos vivos de convertidos ao cristianismo. Aqueles exemplos foram para ele “setas de fogo”, palavras de Deus vivas, incendiárias. A busca de Deus em Agostinho se tornou uma paixão sem limites porque sem limites Deus deve ser amado.
ESPIRITUALIDADE E CARISMA AGOSTINIANO 1 - CARISMA E ESPIRITUALIDADE A Vida Religiosa é comprometer-se pelos votos a encarnar um carisma particular. O carisma supõe uma maneira específica de ser, uma missão e uma mística peculiares. Um estilo de vida fraterno nas orientações do instituto ao serviço da Igreja. O que entendem por carisma? O que entendem por espiritualidade? O carisma é um dom do Espírito, doado pelo Espírito Santo. Espiritualidade é a vida toda na força do Espírito Santo. Ambas são presença e manifestação dos frutos do Espírito Santo. 2 - VARIEDADE DE CARISMAS 2.1. Carismas pessoais: Ler 1Cor 12, 4-12. Aí São Paulo está se referindo aos carismas particulares, a dons pessoais que devem utilizar-se para construir a comunidade eclesial. Os traços da espiritualidade própria se manifesta no jeito de ser e viver, mais orante, dialogante, contemplativo, ativo.... É preciso descobrir as qualidades pessoais para depois poder partilhar a espiritualidade do grupo. A espiritualidade pessoal se complementa com a grupal. 2.2. O carisma comunitário ou grupal: Os carismas comunitários são inspirados pelo evangelho para viver em comum. As pessoas se encontram e compartilham a inspiração evangélica em comunidade. Uma determinada espiritualidade é necessária, pois, ninguém é capaz de viver o evangelho em plenitude, por isso tem que parcelar a sua vivência, tem que se “especializar”. Quantas espiritualidades conheces? Qual é a essência da Espiritualidade da Ordem Agostiniana? A Espiritualidade agostiniana surge da união de várias fontes inspiradoras: valor evangélico da vida comunitária no livro dos Atos, 2-4; regra e espiritualidade de Agostinho; e instituição eclesial da Ordem. Cada Ordem, Congregação ou Instituto religioso tem a própria e específica espiritualidade. Não se pode seguir, na mesma comunidade, vários tipos de espiritualidade particular, porque haverá conflito de interesses. Será que todas as pessoas têm qualidades para qualquer tipo de V.R.?
3 - ELEMENTOS ESENCIAIS DO CARISMA AGOSTINIANO Nosso CARISMA surge da convergência de duas fontes: 1ª) AGOSTINIAREDADE: nela está fundamentada a espiritualidade e convivência religiosa. Íntima relação com Santo Agostinho que nos vem pela Regra e pela herança de toda a sua vida e obras. 2ª FRATERNIDADE APOSTÓLICA: Instituídos assim pela Igreja com o Documento Papal da Fundação (Papa Alexandre IV, Bula Licet Ecclesiae Catholicae, a. 1256).
TRÊS PILARES DA ESPIRITUALIDADE AGOSTINIANA 3.1 - Cultivo da INTERIORIDADE - Consiste em ir aprofundando todo o que se vai vivendo em uma BUSCA permanente de Deus através das coisas. É ir “mastigando” no silêncio interior e na contemplação MÍSTICA toda a cultura e conhecimentos adquiridos, para que assimilados surjam depois desde dentro como convicções pessoais e profundas. É ir escutando o MESTRE interior que nos fala ao coração e nos instrui. É estabelecer com Deus um DIÁLOGO de amor com toda nossa mente e coração. 3.2 - A perfeita VIDA COMUM - Vida comum, ou melhor, COMUNHÃO DE VIDA E COMUNHÃO DE BENS. Consiste em pensar e sentir, viver e atuar em plena vida comunitária.A comunhão de vida e ação leva consigo o diálogo e a participação, expresso no compartilhar e repartir tudo, na comunhão de almas e corações. Isto é viver a caridade de Cristo. O traço distintivo e fundacional: “A comunhão de co-habitação local..., de união espiritual..., de possessão temporal..., e de distribuição proporcional” (Frei Jordão de Saxônia). Nessa perfeita vida comum, o que é mais importante, a comunhão espiritual ou temporal? Qual é a diferença com as outras Ordens e Congregações que também vivem a vida comum? Para eles é como o ambiente onde se desenvolve a V.R. Para os Agostinianos/as é algo muito mais profundo, é uma das características distintivas. De fato “sabemos que tanto mais estamos adiantados na perfeição quanto mais antepomos o bem comum ao próprio”(Regra V,31). 3.3 ATIVIDADE APOSTÓLICA - Todo o adquirido na meditação e contemplação, tudo o experimentado nas vivências religiosas, deve servir para levar aos outros mais facilmente a Deus, indicando-lhes o Caminho que leva à Verdade e à Vida. O amor à Verdade não deve nos afastar da ação; muito pelo contrário deve nos urgir a compartilhá-la e comunicá-lo aos demais. Os primeiros agostinianos, por meio da fraternidade apostólica e a vida de pobreza evangélica, conseguiram unidade, consistência e fraternidade.Descobriram a sua dimensão de serviço na Igreja, não só por sentir-se como filhos fundados por ela, mas também seguindo o exemplo de Agostinho Bispo e Pastor a serviço dos fiéis da comunidade diocesana de Hipona. Como viver hoje esta união entre a dimensão comunitária de fraternidade e a atividade apostólica? Como valorizar e encarnar em nossas vidas e comunidades a vivência dos conselhos evangélicos de pobreza, castidade e obediência?
4 . POSSIBILIDADES E PERSPECTIVAS PARA O FUTURO O rico carisma agostiniano oferece ainda muitas possibilidades de renovação e atualização. Podemos apontar algumas possibilidades: Apostolado: Atualmente na prática está reduzido a colégios, paróquias, missões, obras sociais. Que podemos fazer a nível de ciências eclesiásticas, pastoral da juventude, mass-mídia, imigrante;. Trabalho em Equipe: Encontros de renovação, motivação, planificação comunitária; Comunicação e comunicabilidade: Diálogo acerca das nossas aspirações e inspirações. Partilha dos sentimentos mais profundos nascidos da interioridade e na oração. É aquilo de “ter uma só alma e um só coração”; Oração comunitária: Momentos para pôr em comum na expressão da fé, celebrando a liturgia, o que sentimos e estamos passando nesses momentos. Como fazia Agostinho com os seus amigos: Partilhava tudo no diálogo fraterno e sincero. Os estudos: Podemos fazer algo mais para introduzir a Santo Agostinho na cultura e religiosidade brasileira? Os leigos: Como compartilhamos nossas atividades e espiritualidade com os leigos e leigas como participantes do carisma agostiniano?
SANTO AGOSTINHO CONVERSAO E VIDA Milão foi para Agostinho a cidade da Luz. Agostinho “ia à Igreja a escutar os sermões de Ambrósio sobre a Divina Palavra”. Da mão do bispo Ambrósio, Agostinho inicia uma experiência interior que vai descobrir a realidade do Espírito. O Espírito de Deus serve-se de mediadores humanos que facilitaram a sua caminhada: Mônica, Ambrósio, Simpliciano e Ponticiano. Ponticiano falou a Agostinho da vida eremita. Simpliciano, sábio religioso, lhe mostrou a luz dos neo-platônicos. Depois de um tempo de dúvida e luta interior: “ Até quando estarei dizendo: Amanha, amanha? Por que não há de ser agora o fim do meu desordem? (Confissões VIII, 12, 28) Por fim, chegou o momento da conversão, em Casicíaco, perto de Milão. A vitória consistiu numa entrega total, sem condições: “porque de tal modo me converteste que já não procurava esposa nem tinha esperança alguma deste mundo” (Confissões VIII, 12, 30). * Vamos ler devagar desde Confissões VIII, 11, 26, até Confissões VIII, 12, 29, para entender melhor este processo vivido por Agostinho.
DEUS LEVA A INICIATIVA NA CONVERSAO É claro que a conversão é uma graça. “De ti nos afastamos nós, e se tua mão não nos converte, não somos convertidos”, escreve Agostinho (Comentário ao Salmo 79, 4). A força suave, libertadora e irresistível da graça que inicia em nós o caminho da fé: “Que tens feito ó homem para que te convertesses a Deus e merecesses sua misericórdia? Não sejas, pois, arrogante com tua conversão: pois se ele te houvesse chamado quando fugias, não terias te convertido” (Comentário ao Salmo 84, 8). Santo Agostinho escreve as Confissões como Maria pronunciou o cântico do Magnificat. “Tu és, verdadeiramente, o que faz milagres. Tu és, verdadeiramente, grande Deus que fazes maravilhas nos corpos e nas almas; só tu as fazes. Ouviram os surdos, viram os cegos, retomaram forças os doentes, surgiram os mortos; estes são os milagres corporais. Eis aqui os da alma: são sóbrios os que antes se embriagavam, fiéis os que eram idólatras, esmoleiros os antes ladrões. Que Deus é tão grande como o nosso Deus?”(Comentário ao Salmo 86, 16). A graça da misericórdia de Deus resplandece em toda conversão. O mesmo Agostinho se apropria da história do filho pródigo: “Mas me afastei de ti e fui-me a uma região longínqua para dissipar boa parte da minha substância entre cobiças culpáveis” (Confissões IV, 16, 30). A iniciativa da conversão corresponde a Deus. Deus se inclina e se converte ao homem (Confissões VIII,12,30). Conversão crista significa uma transformação de toda a pessoa com Deus no horizonte. Não existe conversão cristã sem o encontro com Cristo na sua Igreja.
A RESPOSTA DO HOMEM Na conversão é Deus que chama e o ser humano que responde. A graça de Deus não violenta a liberdade humana, mas, ao mesmo tempo, a arrasta com força. “Quando eu deliberava servir já o Senhor meu Deus, era eu o que queria e era eu o que não queria; era eu mesmo. Nem queria, nem deixava de querer inteiramente. Por isso me digladiava, rasgando-me a mim mesmo” (Confissões VIII, 10, 22). O homem nunca é brinquedo nas mãos de Deus. A razão e a liberdade entram em jogo fazendo ao ser humano responsável pelas suas decisões. Pode se dizer que a conversão consiste em querer o que Deus quer (Confissões IX,1,1). Nova vida, novo caminho. E não só um esforço inicial, num momento de entusiasmo, mas um empenho de todas as horas e minutos da vida. Confessa Agostinho que a Palavra de Deus tinha-se grudado nas suas entranhas (Confissões VIII,1,1), estava pregada na sua alma (Confissões X,35,36). Alguns autores falam de várias conversões em Santo Agostinho. Tudo isso está a indicar que a vida dialogal do homem com Deus é um processo vital, acompanhado duma evolução interior, tendo a Jesus Cristo como Caminho, Verdade e Vida. A inquietude agostiniana, que é paixão pela verdade, beleza, justiça e Bem sumo, mantém a tensão na busca incessante e a fidelidade a Deus. Sua história tem algum parecido com a história pessoal de Agostinho? Como esta realizando esse encontro constante com Deus? Como é a sua resposta?
CONVERTER-SE HOJE A história de Agostinho é um convite à esperança. Vemos nos refletidos nos seus devaneios e sentimos próxima a bondade de Deus numa permanente atitude de conversão? Trata-se de reconhecer nossa condição de necessitados e procurar a Deus como plenitude do homem. Como peregrinos em trânsito, buscamos a Deus para poder encontrá-lo. “Viver perto ou o longe de Deus não é questão de espaço, mas de afeto. Amas a Deus? Estás perto dele. O tens esquecido? Estás longe”. Conversão supõe unidade, harmonia pessoal, volta a Deus e encontro com si mesmo. A falta de Deus se disfarça com outros nomes: cansaço, fastio, falta de sentido na vida, situações de solidão e desamparo. Só o amor pode salvar ao ser humano. Só Deus basta. Agostinho, mestre na escola do amor e homem convertido, pode oferecer-nos uma mensagem de grande atualidade: O vazio do homem só pode ser preenchido por Deus.
3 - MISSÃO PROFÉTICA DA VIDA RELIGIOSA CONSAGRADA – Com assessoria de Frei Flávio Trindade, Capuchinho. Ao se apresentar, ele citou três pensamentos de Santo Agostinho que lhe acompanha e serve de inspiração: “Amas e fazes o que quiseres”. “Dá-me o que quiseres e depois pedes o que quiseres”. “Meu coração está inquieto enquanto não descansar em Ti”. Expressou que hoje há uma reclamação: os padres falam de tudo menos de Jesus. Ele veio para falar a nós de Jesus. Apresentou um esquema para os três dias: 1º dia O Profetismo ontem; 2º dia Jesus o profeta; 3º dia O profetismo hoje. Fez uma exposição do tema no geral: Jesus não quis ser fariseu: os fariseus faziam as leis e exigiam que as pessoas a vivessem; conforme a parábola do publicano e o fariseu (Lc 18, 9–14). As parábolas são a alma de Jesus. É o que sai de dentro; Jesus não quis ser escriba: ditador e executor das leis; Jesus não quis ser monge: eles viviam escondidos nas cavernas, não comiam carnes. Eram santos, mas, uma santidade podada e não uma santidade suada, desejada...; Jesus não quis ser sacerdote: era leigo. Os sacerdotes achavam que não precisavam rezar e partilhar. As outras pessoas é que tinham que fazer. É o que podemos chamar de abuso do sacerdócio. Ele não quis usar os dons de Deus para ser bem visto, aplaudido... Os sacerdotes apresentavam-se manchado de sangue, só para serem vistos.
JESUS QUIS SER PROFETA: Ele foi visto como Profeta. É preciso querer ser profeta. Dizer eu quero ser profeta. Se eu não quero ser profeta o que estou fazendo aqui? Mt 11, 11; 46. Jesus quis ser profeta por que profeta é humilde. “Tudo o que tenho recebi de meu Pai”. O povo percebeu que Jesus foi profeta. Jesus provocou a sensibilidade dos fieis. Foi o povo que disse: “Ele é o Profeta”. Jesus tem consciência que é “canal” – fala o que Deus O inspirou. Ele quis e foi profeta com palavras e ações. Em nossos tempos o povo gosta mais do gesto profético do que as palavras proféticas. Exemplo de Dom Luciano que se ajoelhava ao dar a comunhão a uma mulher grávida. O profeta quando fala pode ser até agressivo. Os gestos falam mais alto. Diante do Profetismo nós temos medos, inseguranças, incertezas... Estamos vivendo um tempo de igreja medrosa. O mundo a encurralou; calou. O medo calou a igreja. Podemos observar em nossas falas como igreja de um tempo para cá – o Documento de Aparecida – ficou tateando. Houve quem falasse, mas a “tesoura” funcionou. Onde está a CNBB que falava e todo mundo ouvia? A massificação dos padres pedófilos foi toda planejada para que a igreja se encaixotasse cada vez mais. A Igreja tem medo: A Igreja tem medo do ecumenismo: medo que caia no relativismo; medo de perder adeptos. Sabemos que o Espírito santo sopra aonde quer; para cada pessoa. Deus se revelou a nós – nas pessoas. Exemplo: os beneditinos trouxeram uma grande riqueza para a igreja – a tradução da bíblia. Esperamos 500 anos para suscitar São Bento na igreja; A Igreja tem medo da colegialidade dos bispos, tem medo da CNBB, de tornar uma igreja nacional; A Igreja tem medo dos leigos por que quando os leigos tomam consciência do seu lugar assumem e tomam lugar dos padres. Há leigos que assumem muito bem as lideranças e são eles/as que fazem acontecer a igreja; A Igreja tem medo da mulher: pela sua participação ativa, alegre, cativadora... Exemplo: Irmã Ivone Gebara – escreveu sobre a carência de pai. É uma mulher que fala forte para as pessoas calarem e ouvir; A Igreja tem medo dos teólogos: há quinze teólogos que a igreja os calou nos últimos tempos. O magistério da igreja tem medo de perder por eles; A Igreja tem medo das culturas: por que elas destroem a europeização. A resposta para o povo é não pode; A Igreja tem medo dos jovens: por que são críticos e livres nas suas criticas; A Igreja tem medo da Teologia da Libertação – termo que não aparece no documento de Aparecida. Foi proibido; A Igreja tem medo das CEBs; A Igreja tem medo da Vida Consagrada Religiosa e seu profetismo. Pensou-se em um sínodo para a Vida Religiosa da América Latina e Caribe. A resposta foi não; A Igreja tem medo de falar de alguns ministérios: exemplo: ordenação de mulheres; A Igreja tem medo das mudanças litúrgicas. Tem medo de como o povo louva a Deus; Os bispos têm medo dos Núncios e da Cúria Romana. O maior e pior de todos os medos é o medo do Espírito Santo que sopra aonde quer, como quer, em quem quiser. Texto: O Profetismo na Vida Consagrada foi trabalhado em grupos. Existe ou não existem novas formas de profecia? Precisamos perder o medo e nos lançar no que acreditamos. Temos que ter coragem e ousadia de viver o Evangelho. A igreja não anda e não pode viver sem profetas. Profetas é quem empurra para que façam. Profeta é não ter o monopólio das idéias. Onde está o Espírito Santo se a igreja não tem profetas atualmente? Jesus citou o profeta Isaias por que eles nos ensinaram a dar respostas ao seu tempo. Nós temos que dar respostas aos nossos tempos. Há “sacramentos” que se acabam, o casamento, por exemplo. Há profecias que são validas até certo tempo, depois já não servem mais. Como ser profeta agora? Nós temos medo do Espírito Santo? Continuamos a reflexão na sala, com a leitura de todos os textos bíblicos citados no texto: O Profetismo na Vida Consagrada. A própria bíblia mostra que os profetas são passageiros. As novas formas de expressão foram João Batista e Jesus. A profecia não é teórica é como a fé. João Batista diz que há um novo modo de ser profeta; conforme Lucas cap. 3. Diante das coisas concretas do nosso tempo como ser profeta. Mt 25 – Bem Aventuranças – precisa-se de atitudes concretas. O novo da profecia de João Batista é que ele parte de atitudes concretas.
JESUS, O PROFETA A teologia sistemática está ligada a vida de Jesus Cristo. Ela é aberta e dinâmica. Jesus esvaziou-se – kenosis – de tudo. Ele foi absolutamente solidário. A solidariedade, dentro do profetismo, passa por três fases, três situações, três degraus: 1. SAIR DE SI – ir aos outros que são objetos da minha solidariedade. Assumir a minha missão com a condição de servo. Jesus Profeta é uma pessoa humilde. 2. ALIENAÇAO – eu me tornar o outro. Em Jesus Cristo foi no sentido positivo da palavra. Essa palavra entrou na igreja em 1960, com João XXIII. Negativamente a alienação se dá quando deixo de fazer – omissão – por causas de gestos alienativos como acompanhar novelas e outros nesta mesma linha. No aspecto positivo é deixar-me alienar pela missão: ao chegar onde vou missionar, primeiro devo olhar – participar – ver – estar... quando pedirem, ai sim é que vou falar e encaminhar uma ação doutrinal da igreja. É preciso deixar as capacidades “em casa” e ir vazia – saber aprender com as pessoas. Necessito esvaziar-me por amor – saio de mim mesma por causa da outra pessoa – é a outra pessoa e ou grupo que vai ser aminha medida. Devo voltar-me toda para a outra pessoa, comunidade, pais... 3. NÃO SER ACEITO(A) – João cap. 1ss – a encarnação do Filho de Deus. Trata-se de um risco. No fundo, muitas vezes, não conseguir, em quantidade, o objetivo da missão assumida. E expressar: não consegui nada! Toda solidariedade corre esse risco. Santo Agostinho dizia: “Quando Deus dá uma missão a uma pessoa, por meio da autoridade constituída, Ele tem que dar a graça necessária”. A graça é de Deus – Deus dá a missão e a graça para assumi-la. A solidariedade de Jesus é profética. Não devo passar eu para as pessoas, mas sim, passar Deus que está em mim. Não sou eu que estou passando, mas sim Deus que está sendo passado através de mim. Jesus despojou-se e foi ser todo para os outros. O profeta Jeremias é o mais paradigmático – o profeta mais parecido com Jesus. Deus pediu a Jeremias, como profeta, o seu todo – todo inteiro. Jeremias agia por um apelo maior – Deus. “Sou tão você que até estou com saudades de mim” (pichadores). Para ser profeta é preciso sair de si mesma. Quando sou enviada para um determinado lugar, para uma missão e vivo fazendo referência ao lugar que já estive anteriormente não estou sendo profeta. Preciso esvaziar-me. Sair do lugar anterior e estar inteira onde estou. Precisamos SER profetas em todo o lugar. Texto: A nova Profecia realizada em Jesus e por Jesus. Uma conversa profunda e real de nossa vida missionária. Padre Flávio fez alguns comentários sobre sua reflexão no texto: Jesus vai além das leis – promove a vida; a obediência de Jesus é uma obediência profética; a pregação profética de Jesus era o Reino de Deus; Jesus teve atitudes de Deus – não teve só palavras de Deus para anunciar o Reino. Atualmente a CRB e VRC estão numa reflexão de pedir mais atitude de Deus. “fazer como Deus faria” – atitude de samaritano. Madre Tereza de Calcutá fazia isso – carregava o mendigo para resgatar a vida. A lei manda apedrejar, o amor manda acolher; Jesus vai além da lei – usa sua liberdade.
PROFETISMO HOJE. Alguns apontamentos: O nosso profetismo se não passar por Jesus não vai dar em nada. Há um profetismo ideológico. Ex: comunismo. Qual é o profetismo do capitalismo selvagem? As pessoas vão disfarçando com palavras bonitas como globalização, desvalorizando os valores essenciais da vida. O mundo caminha sem parar. Neste momento há crianças morrendo; crianças e adolescente manuseando armas pesadas... Se o nosso profetismo não passar por Jesus Cristo não tem sentido, não vale nada. O falar de Deus não é necessariamente uma catequese. É ESTAR e SER testemunho. No ano 2000 havia 20.365 (vinte mil e trezentas e sessenta e cinco) religiões no mundo. A única religião que adora um homem é a religião cristã. (Deus que se humaniza e se faz presente na “carne” humana) Nós adoramos um homem: Jesus. Que é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Deus não tem corpo e nem sangue. É Jesus que nos manifesta em Corpo e Sangue. O Deus que nós adoramos, em Jesus, tem corpo e sangue. Nós cremos no homem Jesus, portanto cremos na humanidade. É por isso que vamos para o trabalho com os ribeirinhos em Lábrea; passar dias nas aldeias indígenas em Itabuna, sair do centro de Manaus e profetizar na área missionária Tancredo Neves, sair da casa de formação para religiosas e ir no bairro Santo Antônio, Santa Rosa, Flexal II; estar inseridas em Monte Chingolo e tantas outras iniciativas ricas de um Deus que se manifesta em nós... Todas as pessoas humanas foram santificadas, consagradas, divinizadas em Jesus Cristo. A palavra se fez carne humana. Ele assumiu a carne humana. O Verbo é a carne humana, por isso toda carne deve ser Verbo – Jesus. Estando com a carne humana estou adorando a Jesus. Não podemos querer que a carne vire Verbo. Ou somos profetas ou não somos consagradas. O respeito ou desrespeito a carne: ex. bebês de proveta. Até onde há omissão minha: quando me acomodo em determinada atividade, organização. Os bispos e padres têm um ministério que é serviço. Nós temos um carisma. É esse que nos leva: da Espanha à China, da acomodação à ação missionária. O ministério pode abafar o carisma. Ex: padres religiosos que se tornam bispos. Os primeiros cristãos contaram o Evangelho de boca em boca. Depois veio o escrito. “O Evangelho é Jesus Cristo. Jesus Cristo é o Evangelho” (Santo Agostinho) O Evangelho passa Jesus e se não passa Jesus não é mais Evangelho. Qual Cristo Jesus eu prego? Quando leio o Evangelho qual é o Jesus que eu acho, que eu vejo, que sai do Evangelho e fala para mim? Qual é o Evangelho que justifica as minhas ações? Para mim o Evangelho das MAR do Brasil é o canto “Bendita é você mulher”. O Evangelho lido com pé no chão é de um jeito, lido numa poltrona é outro. Qual é a leitura que faço do Evangelho com pé no chão?O profeta é aquele que anda com o pé no chão. “Não há tempestade por pior que seja para um barco que sabe para onde quer ir” (Pescadores chilenos) A leitura tem que ser com o pé no chão. “A fé está no pé” (Dom Pedro Casaldáliga) Jesus andava com os pés no chão, falava com o pé no chão. Quando entrou no palácio, calou-se. O profetismo passa pelas pessoas humanas. As pessoas humanas são sinais dos tempos para nós hoje. O sinal do tempo nasce das pessoas reais que pede uma ação profética. O profetismo muitas vezes, não é compreendido pelos pobres (o que importa é a atitude profética). Precisamos ser eucaristia no dia a dia amando e servindo. Esse é o profetismo eucarístico: amar e servir. Teilhard de Chardin :“Qual é o grande momento da folha do alface? Quando é comida pela pessoa humana. É a única oportunidade que tem de se tornar humana”; “A vaca/boi se sente mais digna quando tornada bife é comida pela pessoa humana”; “O grande momento da pena/caneta é quando é tomada pela pessoa humana para escrever seu nome ou um belo pensamento”; “O grande momento da enxada é quando o homem a toma, a eleva, cava no chão onde abre uma cova e brota uma semente.” Fr. Flávio entregou para trabalhar em grupos o texto Profeta (profetisa) e missionária. E antes tomou nosso OBJETIVO GERAL das Determinações do nosso V Capítulo Provincial e teceu comentários: É o que mais está sendo pedido hoje: que a Vida consagra religiosa seja um sinal profético. Até onde uma consagrada é capaz de chegar? Esconder uma enfermidade por causa da missão encarnada. Podemos exultar em nosso coração. Jesus exultou. Exultar é algo que nasce de dentro. O carisma é Espírito Santo como eucaristia é Jesus. Qual é o carisma/Espírito Santo que move em mim? “Abertas ao Espírito Santo” significa, sobretudo que nos gastamos neste carisma através do que o Espírito Santo faz em nós. Amar não se ensina. Ama-se. Há muitos modos de amar. Uma maneira de amar é sacrificar-se por uma determinada pessoa. (“Busca de forma criativa fazer presente o Reino”). O Espírito Santo não tem limites. A liturgia das horas pode ser estar com o povo. Depende de como estou exercitando o amor. O discernimento no Espírito Santo sério e profundo faz eu saber confiar, apostar, ousar. SER no que acredito. “Gerando fraternidade desde o pobre, com estilo contemplativo. Contemplar é amar. Contemplar é olhar do jeito que Deus vê. Amar, partilhar, estar junto, estar perto. Temos, como consagradas, que ser desimpedidas pelos votos de Castidade, Pobreza e Obediência. Texto de Marcos 5, 1 – 20.
4 - CARISMA MAR. Tivemos a graça de sermos assessoradas por nossa superiora Geral Irmã Myrian del Carmen Neira Guerón. Iniciou sua reflexão partindo da proposta do X Capítulo Geral. Não queremos fazer cortes na nossa história congregacional, mas dar continuidade à obra do Espírito. Viver como comunidade: o curso de renovação da província já é um sinal profético, queremos que nossa vida deixe um sinal profético do Absoluto de Deus... é Ele quem totaliza a nossa vida... encarnado em Jesus de Nazaré... encarnado, com todas os condicionamentos e condições da carne humana... Um Deus que está na História, que caminha conosco na história da congregação. Abertas ao Espírito.... o protagonismo é do Espírito Santo, o mesmo espírito que fez Jesus criativo. Gerando fraternidade (Reino) começando nosso serviço pelos pequenos. Queremos voltar ao primeiro amor, aquele pelo qual fomos capazes de deixar muitos projetos, sonhos, propostas... Servindo ao Senhor com alegria... a alegria é uma expressão do primeiro amor... não existe nenhuma namorada que não esteja alegre... Queremos amar como Jesus amou e servir como ele serviu... Fazer- nos uma com Jesus para poder amar como Ele... Como abordar o tema da alegria no momento atual que estamos vivendo? Como viver hoje a VR e assim dar respostas às crises? A VR mudou. A VR está passando por um momento de crise... ela faz sentido? Esta pergunta toca o mais profundo de nosso ser. Precisamos algumas pistas... A palavra de Deus: 1Re 19,4-6. O profeta Elias... a vida do profeta não tem sentido... caminha pelo deserto onde não há vida, não há água sozinho... Sem esperança, pede para que Deus lhe tire a vida... Deus lhe responde com mais vida. A situação em volta não mudou, porém tem que se levantar porque deve fazer frente à situação. Está cheio de medo e foge. Sabe analisar o fracasso da nação, porém não sabe analisar o seu próprio fracasso. Por isso foge para a montanha de Deus, o Horeb. Ex 19,1-9 no Horeb tinha nascido o povo de Deus. Elias teve de voltar à raiz. Como MAR devemos voltar às fontes. Nada de morrer, a trabalhar!!! Frente a realidade da VR dizemos e nos contradizemos. Todos estamos igualmente comprometidos. Não sabemos analisar o nosso próprio fracasso. Elias não perdeu a fé, mas não sabe como afrontar a nova situação com a antiga fé. O Deus de Elias é um Deus guerreiro, tem uma categoria moralista: bons e maus. É importante saber o que pensamos de Deus, qual é a nossa imagem. Elias se dispôs a acolher a graça de Deus e continuar. Como estamos cada uma de nós para acolher e nos abrir a graça de Deus, nos encontrar com ele e ouvir suas indicações? Queremos nos dizer a verdade? Como estamos?Necessito sintonia para estar aberta à graça. Às vezes queremos estar atentas, mas não estamos. É um verdadeiro luxo estarmos aqui reunidas. Precisamos fazer um esforço para nos apropriar do personagem. “Saia e fique no alto da montanha porque o Senhor vai passar” Elias sai da gruta e se prepara para o encontro com Deus. Ficar de pé para ajudar-se fisicamente para o encontro. Ter cuidado com nosso corpo. Êxodo 19,16 Horeb. Deus já tinha se manifestado antes em trovões e relâmpagos, a esperança de Elias estava assentada na experiência. Agora se desilude, acaba perdendo o último que ficava. A crise tocou fundo. Nem sequer fica Deus. Estes sinais tradicionais da presença de Deus eram os critérios que orientavam a Elias... já não servem. Deus já não era como Elias e tantos outros no cativeiro. Deus mudou (Sal 27,15). Era a desintegração do mundo de Elias, espelho da desintegração da vida do povo no cativeiro depois que Nabucodonosor mandara destruir os sinais da presença de Deus: o templo, o rei, a posse da terra. Antes, a VR era referente, modelo, segurança. A imagem que Elias tinha quebrou-se em mil caquinhos. Silêncio de Deus “voz de suave calma” “murmúrio duma brisa suave”. Desafio de descobrir Deus ai. Necessita-se SILENCIO para poder escutar. Estamos no tempo em que necessitamos escutar com muito silêncio. Nós mesmas não conseguimos fazer silêncio: precisamos revisar a qualidade da nossa oração. Contemplação da Realidade: ser RECOLETAS – é nosso carisma, portanto é uma capacidade, não fruto do esforço, é DOM. Experiência posterior ao vento, terremoto, fogo. O Espírito como um golpe inesperado faz que a pessoa permaneça calada e se dispunha a escutar. É como uma cacetada na bochecha. Cacetada que acorda, quebra a ilusão irreal e faz com que a pessoa retorne à realidade. No fundo, a brisa suave, a cacetada no rosto, era o exílio que tinha destruído tudo e obrigava a uma conversão radical. 1 Re 19,13 Elias cobriu seu rosto com o manto, sinal de que tinha experimentado a presença de Deus naquilo que parecia só ser ausência dele. Acordou! Aprendeu a lição. Aonde descobriu Deus? Na derrota, na morte, secularização. Quando cremos que ai não está, aí está! Nas crises. Seja onde for que estejamos a VR não acabará. O importante é como vamos viver esse momento. A escuridão iluminou-se dentro e a noite se fez mais clara que o dia. Escuridão luminosa!!! Deus aparece quando menos o esperamos. Deus se faz presente na ausência com mais força que em todas as outras representações. Não é Elias quem defende a Deus. É Deus quem defende a Elias. Deus o tem ajudado tanto que ainda estando todo escuro Deus saiu ao seu encontro. Muitas vezes acreditamos que somos nós as protagonistas. Porém é Deus mesmo quem trabalha no médio do seu povo, quem atinge os corações. Esta é a conversão e a liberação de Elias! Ajuda-nos a encarar a vida de outra maneira. Reencontrando-se com Deus, se reencontra consigo mesmo e com sua missão. 1 Re 19,15: pegue o caminho de volta a Damasco. Imediatamente parte para cumprir as ordens de Deus. Uma delas é ungir a Eliseu como profeta em seu lugar. Há uma continuidade da profecia. A nova profecia!!! Deus continua fazendo surgir novos profetas, novas vocações onde não imaginávamos: China, Guatemala... prova que não podemos perder a esperança. A luta pela justiça renasce da experiência da gratuidade. Para refletir: Que cacetada no rosto estamos necessitando hoje? Já a recebemos? Estamos nos dando conta? Trabalho em grupos com as perguntas? Sinais tradicionais da presença de Deus. Onde não o vemos agora? Onde não é reconhecido agora? O que mais me custa desta experiência? Que realidade vejo agora? Uma cacetada é o número das irmãs que saíram. Qual é a nossa responsabilidade? Por que estamos assim e como deveríamos estar? Temos possibilidades de ser mais consistentes. Por viver o futuro não vivemos o presente. A oração deveria ser nosso descanso afetivo (também físico, porque nos sentamos). Estar inteira na oração. Não perder a oportunidade de aprofundar. Até onde somos culpáveis da saída de nossas irmãs? Sinais tradicionais da presença de Deus: Palavra de Deus, eucaristia, solidariedade, natureza, provas, irmãos-irmãs, história. Ausência de Deus: Quando estamos distraídas no individualismo, indiferença, consumismo, comodidades, internet, televisão, sofrimento, tragédias, falta de amor, imediatismo, sucesso, situações de injustiça, situações inesperadas, de doença, acidentes, etc. Que me parece mais difícil de esta situação? É absurda, não é lógica. Preciso entrar dentro do meu eu, há muita dispersão. Preciso deixar Deus ser Deus. Descobrir Deus no corre-corre. A questão da atividade é onde coloco o coração quando estou fazendo. A VIDA RELIGIOSA HOJE Não é a mesma de tempos anteriores. Diante desta realidade, que faremos? A VR se converte ela mesma num desafio. A escuridão se iluminou por dentro e a noite se fez mais clara do que o dia (Sal 139,12). A criação mesma surgiu do caos, da confusão. Deus se faz presente na ausência com maior força que em todas as outras representações e imagens! Escuridão luminosa! Uma nova imagem de Deus ilumina um novo jeito de trabalhar com o povo. Cremos de verdade que Deus age na história? A nova e original maneira de reler o passado produz frutos na vida dos discípulos que viviam e sofriam no cativeiro. Deus também aparece presente em outros espaços: o sofrimento, a dor. O passado é como a raiz duma árvore. Mexo na raiz para que a árvore produza melhores frutos. Mexo no passado para dar melhores frutos no presente. Os novos profetas do terceiro Isaias se identificaram com Elias. Era o mesmo povo de Deus que estava redescobrindo a presença de Deus na terrível ausência do cativeiro. Nasceu assim uma nova imagem de Deus. E um novo modo de trabalhar com o povo. Nova imagem de Deus: raiz da nova profecia. Como para os exilados e migrantes de hoje, o único espaço de certa autonomia e liberdade é o espaço familiar, da casa: pai, mãe, marido, esposa, irmão, irmã, a “casa”. O que antes formava parte da presença de Deus já no existia: a tribo, a posse da terra, o templo, as peregrinações, o culto, o sacrifício, o sacerdócio, a monarquia. Nada disso existia. Nesse novo espaço reduzido e debilitado da família, da comunidade, da casa foi onde reencontram Deus. Uma nova imagem de Deus: Pai (Is 63,16; 64,7); Mãe (Is 46,3; 49,15-16); Marido (Is 54,4-5; 62,5) Go’el ou irmão maior (Is 41,14; 43,1) Deus agora está na casa, na comunidade pequena, humanamente frágil, porém casa, não mais templo. Toda imagem de Deus é um recorte do que é realmente Deus, e nossos parâmetros são contraditórios. Este Deus é mais próximo e ao povo lhe fez bem esta mudança. Humanizaram a imagem de Deus, e sacralizaram a vida, a família, a pequena comunidade... elas são espaço de reencontro com Deus. Jesus não chama ninguém sozinho, chama dois casais de irmãos, e chama a formar uma pequena comunidade que vai se constituir em família. Na VR, o tratamento é de familiares, de irmãs, irmãos. Devemos revitalizar o sentir-nos irmãs. “Certamente tu és o Deus invisível, o Deus escondido, Deus salvador de Israel” Is 45,15 Nós também temos essa experiência do Deus escondido. Ele se escondia e fazia morada onde ninguém o procurava, na relação íntima, diária, familiar e comunitária, no meio do povo excluído e exilado (Is 57,15). Necessito tempo, paciência, reestruturação, nova organização. Não a todos pareceu bem este novo jeito de interpretar e comunicar a presença de Deus, mas aqui reside a raiz da nova profecia que vai ser ouvida durante 4 séculos até a chegada do Novo Testamento. A profecia nos coloca em contato com um Deus discreto. Ele está tão próximo que não o vemos. Cada comunidade deverá encontrar Deus no mais fraco. A mídia exalta o grande, nunca o pequeno do dia a dia. Nós temos em casa os meios para caminhar nesta situação. Como nas origens de nossa congregação são chamadas as três irmãs. Deixaram sua estrutura para passar a outra estrutura, de uma cultura ocidental a uma cultura oriental, do espanhol ao chinês. Façamos memória de alguma coisa que recebemos da Congregação e sejamos agradecidas (cada uma faz memória). Tudo o que expressamos gera em nós um compromisso, uma responsabilidade, gratuidade. Devemos ser continuação do carinho e da acolhida que nós mesmas recebemos. Tudo o que falamos é a nossa herança. Construamos a casa da fraternidade. Reativemos a nossa esperança. Alternativa comunitária. Embora vejamos situações limites, de desânimo, de inconstância, de saídas, temos um suporte na comunidade para descobrir aí fraternidade. Uma só alma e um só coração. Herança agostiniana: Vida fraterna, correção, fraternidade, alegria do encontro, atenção às necessidades de cada uma, ter tudo em comum, compartilhar as experiências. Comunidade: lugar para descobrir a presença de Deus, comprometer-nos e aprofundar nossa experiência comunitária. Não só encontramos uma família, mas construímos uma família. Todas nós somos operárias para construir a casa da fraternidade. Às vezes reclamamos do pedacinho que eu construí, porém o mais importante é que a casa fique bem feita, não meu pedacinho... Nascemos como um grupo. Corre pelas nossas veias a experiência comunitária, como povo que caminha que atravessa o oceano. A mobilidade não foi nunca uma tragédia na congregação. É necessário também sair de nossos esquemas. Nosso projeto é comunitário. Se não buscamos juntas, o peso será maior, o risco será maior. Analisemos esta definição: “Qualquer sistema aberto que possua em si mesmo, no seu interior, a capacidade de responder a mudança provocada pelas perturbações do entorno, reorganizando-se a si mesmo, logra um mais alto nível de organização, maior fortaleça e maior capacidade de sobrevivência pela vida da evolução adaptativa.” (Ilya Prigogine) Nossa vida consagrada MAR é um sistema aberto? Elementos constitutivos - Atitudes básicas - Desafios a assumir: Fazer viva e operante o chamado e o carisma. Possui no seu interior a capacidade de responder à mudança provocada; Nova forma de ver, viver e trabalhar. Reorganizando-se a si mesmo; Qualidade de vida - Alto nível de organização - Maior fortaleza - Maior capacidade de sobrevivência. O chamado e o carisma vêm de Deus. Fé, caridade e esperança. Resposta da pessoa - Acolhida a estes dons - Fundar na realidade fundante - Entregar-se ao amor original - Abrir-se ao mistério da graça. No nosso coração cabem todos. Coração cheio de amor sem exclusivismos, sem procurar retribuição. O que preocupa é não acreditar que Deus faz plena a nossa existência. Renúncia consciente as expressões afetivo-sexuais. Renúncia ao bem menor para alcançar um bem maior. Perante os dons que recebemos devemos ser responsáveis. Fazer visível na fragilidade da vida humana as maravilhas que Deus realiza. Devemos assumir os sentimentos de Cristo Jesus. Deus é o protagonista. É preciso vencer: O pessimismo frente ao futuro; A idéia de ter alcançado tudo; O temor de experimentar novos campos de missão. “SOMOS CHAMA ENCENDIDA NA MISSÃO, IRMÃS DE CORAÇÃO NA COMUNIDADE, SILÊNCIO VIVO NA ORAÇÃO, SOMOS MAR PARA DEUS”. Interessa-me o futuro? O futuro de minha vida, da comunidade, da província, da congregação, da sociedade, da humanidade? “Interessa-me o futuro porque é onde vou viver a partir de agora” Woody Allen. Ver o que queremos ser e o que devemos ser no futuro. Nós mesmas fazemos parte desse futuro. Carta “fundacional “de Mons. Ochoa”. Perante estas palavras fazer silêncio para contemplar, para nos dispor para o serviço. Ele prometeu atrevidamente em nosso nome. Faremos uma leitura desde o coração, nos comprometendo O que somos? Agostinianas Recoletas Missionárias Filhas de Maria Como devemos ser? Verdadeiras Autênticas Transparentes. Quais atitudes nós necessitamos?Escravas, humildíssimas, Simples, Mansas, Caridosas e muito amante de Jesus Cristo
Em razão de que continuamos acreditando? Fundamentadas no Evangelho: Lc 9,23 “Se alguém quer me seguir, tome cada dia a sua cruz e me siga”. Imagem do vidro: fusão de certas areias. Mistura que alcança uma consistência sólida. Processo de lento esfriamento. Até adotar características: sólido e transparente. Queremos que nossa vida seja sólida e transparente. Uma constatação do Congresso de VR em novembro de 2004: “Muitas realidades ocultam e bloqueiam a radicalidade, solidariedade, contemplação, fidelidade e felicidade do religioso. Seu espírito não se transluz em seus olhos, seu rosto, suas mãos e seu proceder. Não irradia nem contagia paixão por Cristo nem pela humanidade”. Sonhou-se com pessoas consagradas profundas, transparentes e autênticas. Consagradas com um só rosto: sim – sim, não – não. O congresso propõe lugares, tempos, práticas que levarão a exercitar-se no silêncio, no profundo, no essencial. Na cultura do ruído cultivar o silêncio. Na cultura da superficialidade cultivar a profundidade. Na cultura do acessório cultivar o essencial. As mãos do Pai vão recriando a profundidade transparente e autêntica de um religioso mediante o fogo do Espírito e as palavras do Filho (imagem do bebê nas mãos). Vida religiosa lúcida, autêntica e fecunda. Sem enganos nem máscaras. Mons. Pirônio: olhando perto e longe, acima, ao alto e também o profundo. Profundidade: meta indispensável para chegar à transparência. Necessária para ganhar em sensatez, para acender as luzes de dentro e não ter viver dos refletores que chegam de fora. Quando não sabemos quem somos recorremos a máscaras, a outras pessoas diferentes do que realmente somos. Se não reconhecemos ao mestre interior sempre necessitaremos refletores externos. A sadia e profunda interioridade nos permite ouvir o frio dos pobres que se converte em ação e contemplação e o sussurro de Deus que se transforma em compromisso e louvor. Nossos fundadores saíram da clausura sem preparação nenhuma. Podemos procurar ajudas para cumprir a missão. Em quem me apoio quando tenho medo? Condições para a profundidade. Escuta, silêncio, reflexão, discernimento (brisa suave). Discernimento acompanhado por outra pessoa. Outro me confirma. No silêncio, Escuto a própria música interior, Coloco-me em contato com o melhor de mim mesma, Caminho coerentemente. O silêncio é para ganhar força, claridade, lucidez para a missão. Muitos sabem só o que pensam, mas não o que sentem, o que são. Se não sabemos o que somos podemos ficar numa aparência, caricatura do que realmente somos. Na formação permanente também necessitamos deixar-nos ajudar. O convite para aprofundar não é fugir da complexidade e da realidade nua e crua da sociedade atual. Garantia para estar presente, para andar de pé e com uma mensagem nova num mundo globalizado, neoliberal, acelerado. Quanto mais profundo e autêntico, se procede de um modo mais firme e universal, mais irmão de todos, mais transparente, mais de todos. “A força da missão está na recoleção”. A raiz de muitos de nossos desânimos é que está ausente O único que nos anima. Quando se ganha em profundidade, se possibilita e aprofunda a comunhão. Os passos na fé se dão na escuridão, porém Deus nos confirma. Quais situações não nos favorecem para a profundidade e a autenticidade? Superficialidade, ativismo, consumismo, individualismo, relativismo, ateísmo, cultura da imagem, aparência, múltiplas ofertas, pensamento débil, cultura do engano, ausência de compromisso, etc... Aqui não estamos porque somos boas, hábeis, inteligentes, mas por vocação. Conclusão: Estamos necessitadas de profundidade e transparência para viver o mundo e a época que nos toca viver. Necessitamos ter base e fundamento. Necessitamos que nossa barca não se perca no meio do mar. Necessitamos estar preparadas para quando chegue o combate. Como poderemos nos preparar para isso? Escutar ao mestre interior. Viver a essência da VR. Necessitamos de virtudes (atitudes): hábitos adquiridos com treinamento. Disposições, forças que nos levam a fazer o bem.Correspondem a um trabalho coletivo de criação de valores, de cultivo de atitudes e de exercício em determinadas atividades. Leva a uma maior qualidade de missão, de vida. E hoje, que tipo de religiosa se necessita? Homens e mulheres apaixonados por Cristo e pela Humanidade; Transparência e autenticidade para sermos fies ao carisma. Que nos ajudaria hoje para cultivar a virtude? Perseverança, oração, disposição desde o coração, gratuidade, fidelidade, acreditar no valor da virtude, paciência, criatividade. Atitudes próprias de uma vida arriscada; Abnegação do coração e da vontade; Silêncio que permita uma solidão ativa (habitada) Assumir o incômodo a favor dos outros; Ordenar o pensamento e os afetos; Harmonizar o diverso. Jesus não tinha apoio afetivo (onde reclinar a cabeça). O Pai era o seu único apoio afetivo. Necessita-se destacar os sentimentos nobres e os estilos de vida intensos, profundos e autênticos. Destacar: 1. o que deu consistência ás virtudes (caridade, simplicidade, alegria e humildade) ao longo da história da congregação? 2. Que deveríamos reforçar para fazer mais sólidas essas virtudes. Para reflexão pessoal: 1.Que quer Deus de mim neste momento concreto de minha vida? 2.Que necessito para responder a este querer de Deus? 3. Que necessitamos resgatar de nossas fontes como comunidade, província ou congregação?
CONFIANÇA EM DEUS Pedimos a Deus a solução de nossos problemas e Ele nos dá o que é melhor para nós, embora nós não o compreendamos... Jn 8,31-32 A verdade vos libertará Condições para a liberdade: Manter-nos na Palavra, embora nos custe, embora ela não coincida com o meu desejo. Nos manter nos critérios do Evangelho. Que nossos critérios sejam os do Evangelho. A gente se transforma naquilo que medita. Em que haveremos meditado para nos converter em aquilo que nos convertemos? Olhar o espírito de nossos fundadores, o espírito dos nossos documentos (Regra, Constituições, Diretório, determinações capitulares, etc). Sermos verdadeiras discípulas. Necessitamos querer ser-lo: vontade, perseverança, conversão. Lc 8,1-2 Condições para pertencer à escola de Jesus: ter sido curadas de espírito maligno e de enfermidades. Nos colocar com sinceridade diante do Senhor e considerar nossos demônios, os que já saíram e os que ainda estão ai. Conhecer a verdade os fará livres. Eis a autêntica alegria. A VR oferece muitos recursos para cultivar a profundidade e a transparência. Quais são esses recursos? Deveria nos dar vergonha não aproveitar esses recursos. Para ser religiosa é imprescindível atrever-se a olhar para dentro, no profundo, no verdadeiro. Por sermos recoletas já temos o carisma. Para ser missionárias necessitamos este exercício sadio. Por sermos agostinianas temos um grande mestre. Para viver em comunhão necessitamos viver o mais autêntico pessoal. Necessitamos apagar ruídos, ficar sozinhas e deixar que brote o autêntico, o genuíno. Ai Deus começa a sussurrar, nos embarga o amor, nos faz cada vez mais amantes e ganhamos em capacidade de sermos amadas (brisa suave). Como o conseguimos? 1. Recuperar o núcleo 1.1 Processo contínuo de recoleção. 1.2 Ir à fonte. 1.Ir ao primordial, o interno, até o que controla o metabolismo celular. Se temos a vida centrada em Deus não haverá temor. Chegar ai é chegar a o mais luminoso e denso. Chegar ao núcleo é atingir o centro. É uma surpreendente descoberta. Dinamiza. Faz nossa vida mais profunda. Vamos ao centro quando queremos achar algo importante, vital. Há formas simples que ajudam a solucionar situações complexas. Afastar-se do centro é ficar com o secundário, com o acessório. O centro é a torre para enxergar longe, para que a sentinela não fique dormida nem desça do seu posto. Um processo de auto-aceitação nos permite estar atentas, à espera. Leva à simplicidade e a originalidade, o que era no princípio e será para sempre. Sobrevém a angústia quando se perde o centro; ser e vida se separam (Maria Zambrano). Tarefa de muitos é tocar o centro de sua pessoa. Será nossa tarefa pendente? Ir até onde emerge a vida, ao profundo. Às entranhas, ao seio materno. O novo deve vir do novo e a vida da vida. Quando buscamos a vida e vida abundante se precisa chegar ao profundo. Por isso, a responsabilidade de estarmos vivas, despertas. Ajudar a que a pessoa mesma tire de dentro o melhor. Os filhos emergem do seio, das raízes, daí brota a água, aí tem que passar um tempo a semente, e morrer e nascer. Empenhamos-nos em dar vida, porém não queremos morrer. Qual era a fonte na qual bebia Jesus, para ter um olhar tão puro, uma missão tão nova, umas relações tão diferentes, uma oração tão especial, uma comunidade tão original, uma nova utopia? A fonte era o encontro com o Pai que lhe entregava o Espírito. Para isso Jesus se retirava a orar. O que emerge do profundo é profundo, é autêntico. Como VC não nos falta o convite de ir ás fontes da Escritura, dos fundadores, dos acontecimentos de nossos dias, dos pobres, e ajuda para passar da novidade ao profundo sem perder utopia e sonho. 1. Fazer opções - “Para ser iluminado por Cristo, Mestre interior, sem o qual o Espírito Santo a ninguém ilumina, e onde encontra os irmãos”. Do centro emana energia, pensamentos, afetos, vida. Por isso existem religiosos superficiais. E os seus frutos? Temos formulações profundas que vão até a raiz e saem delas. Por que optou Jesus num determinado momento de sua vida? Pelo projeto do Pai; Pela vida em abundância; Por fazer dele a vontade do Pai; Por retirar-se ao deserto para orar, para discernir;Pelos empobrecidos; Por ser livre; Pela encarnação; Por curar as pessoas; Por ser profeta;Por ser batizado por João; Por contrariar a lei; Por deixar aos outros terminarem com a vida dele. No Pai Nosso se revelam as opções profundas. Elas determinam sair da indefinição, indiferença, imprecisão. Assim faz caminho. 2. Não inventar a água morna. A VR tem em seu haver a radicalidade, a definição clara e precisa, o martírio abundante, as missões de risco, a ação profética, a proposta escatológica e apocalíptica. Tem que evitar o ser morno e a mediocridade. Nossa capacidade de admiração mede a qualidade de nossa vida. Nos nossos processos formativos não estaremos ficando na normalidade? Se for assim o entorno marca o modelo de conduta. “E se propõe com freqüência a mediocridade como ideal. A indiferença ante o mau leva consigo a apatia a o bom e excelente. Uma formação verdadeira nunca pode ser neutral: elege, verifica, pressupõe, elogia, descarta...” (Adorno). O bom formador é alguém capaz de admirar e fazer admirar a excelência: fidelidade ao Senhor e seu Reino. A meta é o único que é o Caminho, a Verdade e a Vida. Se estamos empenhadas em sermos formadoras permanentes em nosso carisma, a proposta é sermos agostinianas verdadeiras, recoletas verdadeiras, missionárias verdadeiras. Já sabemos o que queremos, rezemos para que possamos praticá-lo.
RETIRO O Retiro, também, foi orientado por Ir. Myrian del Carmen Neira Guerón. Na véspera nos convidou a entrar em clima de silêncio exterior e interior, pois este é o nosso tempo de escuta, reflexão, oração... atenção ao que o Senhor vai sugerindo mediante os temas, meditação, leitura, oração... A cada dia ia desenvolvendo um tema: 1. Tempo de Salvação – Tempo para sentar-se aos pés do |